quarta-feira, 13 de setembro de 2017

A selva da minha natureza humana

Apenas um lado da cama está desfeito, a prova real de que você não está aqui. A cama deste jeito é uma metáfora bonita desta relação. Essa minha arte de dormir na diagonal, arremessar travesseiros em ataques de sonambulismos e, ainda assim, acordar com o seu lado da cama imaculado. Prova do meu mal dormir e do espaço que eu guardo para você. 
Eu não te amo o tempo todo, mas te amo todos os dias. Minha percepção sobre você é esse amor que é planeta, embora eu não deixe de ver as paixões que são satélite - todas orbitam ao seu redor -  enquanto eu sou saturno: um anel circulando uma barriga um pouco acima do peso e a seriedade dos que nascem velhos com um signo de terra.
Eu sinto sua falta ao mesmo tempo em que jogo charme para o mundo. Combino cafés, almoços, drinks e cinemas para preencher os dias que eram ocupados por nós. Sua ausência traz excesso de mim.
Escrevo "saudades" para você e para outros, e absolutamente nenhum deles me faz te amar menos. 
Tenho medo de quase tudo, tesão por muita gente, vontade de casar de papel passado, vontade de ficar solteira, vontade de não ir trabalhar para te encontrar do outro lado do mundo, uma urgência em ser a melhor profissional que eu posso. Eu tenho questões, angústias, maluquicezinhas, crises, desejo descabido e os sentimentos mais diversos e incongruentes não param de crescer na selva dessa minha natureza humana.
Eu sou muitas, eu quero você e todo mundo, mas enquanto eu ligar o som e colocar dois pratos para jantar porque teimo em esquecer que você não está em casa, pode ter certeza de que o que eu sinto é enorme. Mesmo que não seja amor o tempo todo, é amor também.
(Só um lado da cama continua desfeito.)

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