sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Mais uma dose - é claro que eu tô a fim.

Só por hoje eu não te escrevo um poema, não enfio a mão direita embaixo da minha saia pensando em você, esqueço sua forma torta de lidar com o mundo – quando a verdade é que sua crueldade tem que ser lembrada feito alarme de incêndio na minha vida.
Só por hoje eu não fecho os olhos tateando no fundo da memória, que ainda mora na cama daquele quarto de hotel, a sua mão na minha coxa.
Só por hoje não lembro da sua voz no meu ouvido dizendo que cada vez é melhor foder comigo. Cada dia é melhor – e sorte a minha não virar a esquina e te encontrar por aqui.
Sorte a minha não te ter acessível toda vez que eu tivesse um rompante como o que estou tendo agora – tremendo feito viciado em recuperação desde que te deixei de lado para viver qualquer coisa que não fosse tóxica.
Você é droga, é a foda da minha vida, inédita, toda errada.
Nada de bom pode vir de você, nada de bom pode vir de nós dois juntos. Você é a potência do meu lado sombrio, minha insanidade, minha desgraça – e só de pensar em você eu escorro.
Anoto os doze passos, tomo um banho frio, desligo o som, jogo sua camiseta fora, respiro cachorrinho, saio de casa.
Só por hoje eu não te escrevo um poema. Com sorte, amanhã também não.

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