terça-feira, 22 de setembro de 2015

Impermanências.




Estamos voando. Não tem teto para pousar e o piloto decidiu apenas continuar voando. 
O tal do estado de impermanência.
Não estou em um lugar e nem em outro. Estou no meio, e gosto. 
Quanto mais velha fico, mais me estranha a ideia de ter uma casa só. Não tenho muitas coisas, não tenho quase nada.
Aos 30 anos dizem que é preciso construir, mas eu só tenho uma cama, alguns livros e muitos desejos.
Eu deveria querer construir, mas eu não quero.
Ao meu lado o homem canta uma melodia descompassada. Morre de medo, coloca a mão na testa e agora grita. 
Não gosta de impermanências como eu. Deve ter construído alguma coisa e agora teme. Eu não construí nada além de palavras e por isso não tenho medo. 

Continuamos voando. 

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