quinta-feira, 20 de agosto de 2015

DUAS PESSOAS PODEM SER COISAS DEMAIS



Tipo 1
E então é um padrão.
Você aparece, faz um strike no meu peito, acende alguma coisa que dorme (mesmo que seja a minha carência, minha falta de não sei o quê e que ainda precisa de muita análise para ser descoberta), entende que eu não sou pouco, que eu sou muitas coisas, coloca o rabo entre as pernas e some.
E eu que cuide dos cacos estilhaçados pelo chão.
E então eu pego o meu snorkel e volto à superfície, machucada, sem ar, mas eu sempre subo, e é geralmente nessa hora que quem está precisando é você.
E você volta.
E eu que abra a porta mais uma vez por já aprender a remendar os cacos.
Mas desta vez não.
Desta vez eu só quero algo que venha com a legitimidade de um encontro, com a paz e a constância dos que se amam e que se querem todos os dias.
Não só aos domingos à noite.


Tipo 2
Para mim você é um espelho. Eu olho para você e me vejo. As mesmas marcas, a mesma olheira, os mesmos traços. Por dentro você é igual. Os mesmos traumas, o mesmo peito dolorido, a mesma angústia de nunca saber, e de por isso nunca conseguir estar.
E te vendo assim, e me reconhecendo em você, eu entendo o porquê de você não ter se despedido de mim.
Porque nós dois somos coisas demais.
(E que por isso estamos tão ocupados agora, porque precisamos nos livrar de nós mesmos antes de encontrarmos alguém.)

Tipo 3
Às vezes eu ando pela rua sem olhar para os lados porque sei que só quando eu estiver realmente distraída é que você vai chegar.

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